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Conflito é saudável ou danoso para a relação?

Um dos maiores problemas de uma relação está relacionado aos conflitos entre as pessoas. Sempre que os conflitos ocorrem as pessoas normalmente saem mal desses conflitos e, pior, continuam mal por muito tempo guardando mágoas. Elas cortam a comunicação e ficam sem falar com o outro às vezes por muitos dias, semanas e até meses. Quanto mais as pessoas ficam sem falar depois de um conflito maior é separação entre elas. Essa separação permanece até que um dos membros da relação, geralmente o que se sente culpado, faz um movimento que libera de novo a energia do relacionamento, que ficou represada pelo conflito.

Na minha experiência clínica e de vários colegas da área de família como Virginia Satir, o problema não é o conflito, a briga em si, pois o conflito é sem significado, nós é que damos significado a ele. Quando ele interpretado como parte do processo de aprendizagem que estamos vivenciando para aprender a viver juntos, ele não é classificado como tão ruim assim e se torna menos pesado. Quando o consideramos como algo doloroso a ser evitado a todo custo, denegrindo e destruindo a relação, ele nos leva a sentir muito mal e desanimados.

Os casais erroneamente interpretam as brigas como um sinal de que a relação piorou e não como parte intrínseca do processo de crescimento de uma relação. Quanto mais forte o conflito, mais pensamos que a relação piorou muito, o que não é necessariamente verdadeiro. Um conflito mais forte pode significar que estamos mais confiantes de que a relação não vai quebrar, de que a relação é maior do que os conflitos e de que podemos nos abrir com o outro de maneira que não fazemos com nenhuma outra pessoa.

A Acusação

Quando brigamos com o outro, sempre achamos que nós é que temos razão e que o outro é que está errado. Como nos ensina Um Curso em Milagres, preferimos ter razão do que estar feliz. Isto é nos apegamos na crença de que estamos certos, mesmo que isso nos distancie do outro e que isso nos faça infeliz.

Desta maneira, toda vez que há um conflito podemos olhar em duas direções: uma é olhar para fora, isto é, para o outro e simplesmente culpa-lo nos eximindo de toda a responsabilidade. Ás vezes podemos até não ser responsável por algo específico, mas sem dúvida somos responsáveis pela relação chegar neste nível que faz o conflito possível. Se olharmos para fora com o nosso ego, vamos simplesmente culpar o outro. Porém se olharmos para fora com o Ser Superior, vamos objetivamente, sem julgar o outro, compreender o que está acontecendo no todo.

A outra direção é olhar para dentro de si mesmo e assumir parte da responsabilidade pelo que está acontecendo. Se fizermos isso com o nosso ego, culparemos a nós mesmos e nos sentiremos muito mal por isso. Contudo, se depois de um conflito olharmos para dentro com o Ser Superior aprenderemos objetivamente muito sobre como funcionamos, como lidamos com nossas emoções, como reagimos interna e externamente em situações semelhantes, e com toda essa aprendizagem poderemos fazer melhor da próxima vez.

A acusação, por menor que seja ela, é uma erva daninha para qualquer relação, porque ela coloca as pessoas na defensiva e para se defender a pessoa tem que atacar de volta formando um círculo vicioso sem saída de ataque e defesa. Falhamos em reconhecer que quanto mais acusamos, isto é, quanto mais atacamos o outro pior fica a situação e vai causar mais desconforto ainda para a relação deixando-nos mais distantes nos níveis físico, emocional e psicológico. O abandono da acusação é a coisa mais sana a fazer não só para a nossa saúde física, emocional e psicológica, mas também para a saúde da relação.

A mágoa e o perdão

A mágoa é outra erva daninha a uma relação, pois quando guardamos mágoa sofremos e fazemos os outros sofrerem incluindo os filhos quando eles estão presentes. Nós sofremos porque a mágoa impede de recuperarmos nossa paz interna, nosso equilíbrio emocional e psicológico. Os outros sofrem porque a mágoa sinaliza que estamos sofrendo e que eles são a causa desse sofrimento. As crianças, principalmente, sentem-se responsáveis pelos conflitos mesmo sem serem. Na maioria das vezes elas não têm discriminação para discernir o que é delas e o que é dos pais e assim interpretam erroneamente como se tudo fosse delas.

Algumas pessoas guardam mágoas por muitos dias, semanas, meses e até anos durante uma relação. Quando estamos com mágoa, tendemos a dar o tratamento do silêncio ao outro que é um sinal de vingança pelo que aconteceu. Desta maneira transferimos para o outro toda a responsabilidade do que ocorreu e nos tornamos a vítima inocente do conflito. Queremos que a outra pessoa peça desculpas, sabendo secretamente que não vai adiantar e que nada poderá sanar o pecado cometido. No fundo nosso ego secretamente quer que o conflito continue, pois como um vampiro adora sangue.

O perdão é o antidoto para a mágoa. Quando perdoamos de verdade, toda a mágoa desaparece e a luz que faltava na relação retorna. Assim temos a sensação que recuperamos nossa alegria, inteligência e sabedoria. Perdoar é reconhecer nossa responsabilidade no todo do que está acontecendo e a vontade de deixar de lado o sofrimento que a mágoa nos traz. Perdoar é reconhecer a insanidade do conflito e abandoná-lo. O saudável não é o conflito, mas o abandono dele através do perdão quando reconhecemos que ele não tem valor nenhum a não ser para trazer mais conflito.

O que é resolver o conflito de maneira saudável?

Para resolver conflitos de maneira saudável temos que lidar diretamente com ele sem correr dele, sem evita-lo, sem deixar para depois, sem condenar o outro, sem dar o tratamento de silêncio, sem atacar e sem se defender, mas ser direto e objetivo ao lidar com a situação em si no aqui e agora.

A resolução saudável de um conflito requer uma habilidade grande de lidar com nossas emoções, aprender a expor tudo sem ofender o outro, falar tudo que tem que ser falado e não guardar nada para depois, não guardar mágoas, ouvir o outro integralmente mesmo que não se concorde com o ponto de vista da outra pessoa sendo assim empático. Finalmente discernir quando o assunto está esgotado e dar um tempo naquele assunto sem cortar a comunicação. Pode-se voltar ao assunto mais tarde para meta-comentar o que ocorreu, isto é, cada fazendo sua própria análise do que ocorreu sem abordar o conteúdo do que aconteceu. Esse último passo requer uma maturidade das partes em conflito ou a ajuda de um profissional habilitado no assunto.

Um aspecto muito ignorado entre as partes em conflitos em qualquer relação é o processo que chamamos de pedir ajuda ao Ser Superior, a parte sábia da mente. Na nossa experiência clínica quando há conflito é importante as partes em conflito em algum momento virar para dentro de si e pedir ajuda da parte sábia da mente para nos dar a sabedoria que levará a uma resolução saudável do conflito para ambas as partes. Essa parte da mente é o nosso anjo protetor que com certeza nos ajudará nos momentos mais difíceis dos nossos conflitos. Ensinamos às pessoas fazer o pedido de olhos fechados e em silêncio simplesmente dizendo: meu santo protetor, meu Ser Superior ou mesmo Espírito Santo, me dê luz para que este conflito seja resolvido da melhor forma possível trazendo um ensinamento para nós dois. Depois disso espera-se alguns segundos e nada mais é requerido.

Seguindo as orientações simples apresentadas aqui com certeza muitos dos conflitos que permeiam as relações podem ser resolvidos principalmente quando contamos com a ajuda de um profissional experiente e competente. Tenha certeza que todos os conflitos podem ser resolvidos de forma saudável que levará a relação a atingir novos patamares de reconstrução e sinergia.

Caso tenha interesse em se aprofundar no assunto, no dia 26/08/17, estarei ministrando um Workshop sobre Amor Sem Conflitos.

Para conferir as informações completas do Workshop, basta CLICAR AQUI

Até Breve!

Antonio.

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